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Grandes avanços na 0111

Temos tido menos tempo para reportar os avanços no processo de restauro mas, nem por isso, têm sido menos relevantes. Apesar da elevada humidade registada na maioria das sessões de Novembro, Dezembro e Janeiro, os trabalhos de chapa avançaram, ainda que em ritmo forçosamente mais lento – a aplicação de tinta protetora nem sempre era possível, recomendando avanços em extensões menores.

Ainda assim, nos últimos meses a nossa equipa continuou a focar-se no exterior das duas cabines, zonas particularmente sensíveis por estarem mais expostas aos elementos mas também porque as formas particulares propiciaram maiores desgastes ao longo das sete décadas de existência desta automotora.

Pormenor da cabine 1. Grandes áreas estão já tratadas e com o primário laranja da CIN. De notar a secção recortada, por baixo da janela lateral.

Cerca de 80% da superfície de ambas as cabines está já tratada – decapada em profundidade em todos os locais onde a existência de corrosão era constatável ou provável e posteriormente alisada com a aplicação de betume específico para este fim, terminando com tratamento mecânico com lixa fina. A aplicação do primário que a CIN ofereceu ao projeto tem sido particularmente importante, já que a qualidade que constatamos é muitíssimo superior aos produtos que a equipa havia adquirido antes, nos estabelecimentos comerciais habituais. A selagem da chapa já tratada é um ponto fundamental para não ser necessário estar constantemente a refazer as áreas trabalhadas.

Os trabalhos de serralharia mecânica começaram em Janeiro, com o recorte da primeira grande secção de chapa a substituir, do lado direito da cabine 1. O péssimo estado da chapa nessa zona, que coincide com o chão da automotora e com o friso inferior em chapa, não deixa alternativas a não ser a sua substituição – algo que será feito em grande parte do perímetro da automotora. Foi adquirida chapa de ferro reproduzindo as características originais, nomeadamente a espessura de 4mm. Foram adquiridas folhas de chapa para recortar e foram adquiridos frisos com igual largura, para substituição dos originais, muito degradados em grandes extensões à volta da automotora.

A folha de chapa a aplicar e os frisos cortados à medida, para aplicação na zona adequada. Em cima, o reforço estrutural em U. Todos já com o primário protector

Após a retirada da chapa a substituir, foi recortada chapa com as exactas dimensões para introduzir na mesma zona, bem como realizados os cortes à dimensão pretendida do friso, também necessitando de substituição na mesma zona. Além da chapa exterior, um reforço estrutural em U foi também cortado à medida, para substituição do que existia que, estando numa zona de acumulação de água caída através das janelas, estava praticamente feito em pó.

Depois do corte, foi necessário remover a camada de protecção que vem de fábrica para depois aplicar uma boa camada de primário, de modo a proteger desde logo contra fenómenos de corrosão, antes de aplicação.

Até ao momento foi já soldado o reforço estrutural em U e foram soldados os elementos do friso à folha de chapa a aplicar. Tendo em conta que após a soldadura se impõe um tempo alargado de vigilância por conta da temperatura que os elementos soldados podem atingir, a aplicação desta folha de chapa ficará para a próxima sessão, uma vez que houve que vigiar os efeitos da soldadura do perfil em U. A soldadura está a ser feita por eléctrodos, com recurso a arco eléctrico, por pontos. Tanto para a delicada operação de corte como para a operação de soldadura estão a ser observadas condições de segurança muito estritas, uma vez que os riscos de tais operações são elevadas. Tal implica não apenas material de protecção para a pessoa realizando estas operações, mas também o humedecimento prévio de madeiras localizadas perto do local intervencionado e ainda a aplicação de mantas específicas para isolamento térmico reforçado e anti-fogo.

A delicada operação de soldadura, neste caso do perfil em U. Na próxima sessão o buraco será fechado com aplicação da folha de chapa nova.

Na próxima sessão de 23 de Março será instalada a folha de chapa e realizadas as últimas correcções de chapa no mesmo lado, permitindo deixar uma grande zona já pronta para pintura futura. A peça que irá substituir chapa também recordada no topo da cabine 1, no local da buzina, poderá também ser inserida na mesma sessão, resolvendo assim mais um dos grandes problemas desta cabine.

O projecto está a contar com várias ajudas adicionais. A Fundação do Museu Nacional Ferroviário anunciou a alocação do dinheiro recolhido com o IRS do ano passado a este projecto (não se esqueçam de ajudar o MNF este ano com a mesma ferramenta) e temos ainda outros voluntários que nos estão a ajudar com questões igualmente importantes como a necessidade de obter novas borrachas para as janelas que reproduzam na íntegra os perfis originais, condição vital para aplicação no restauro de uma peça de Museu como esta.

Na próxima sessão em princípio será colocada a nova chapa na zona da buzina, que substitui a antiga, já removida, que estava quase totalmente desfeita.

No dia 23 voltaremos a abrir a sessão de restauro aos curiosos, entre as 14:00 e as 16:30. Basta a inscrição junto do Museu Nacional Ferroviário.



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