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O desafio de restaurar a Nohab 0111

As automotoras de via larga da série 0100 terminaram o serviço comercial em 2006. Para a 0111, a unidade atribuída ao Museu Nacional Ferroviário, a travessia no deserto havia começado logo no final de Março de 2005, quando saiu de serviço. Inicialmente prevista para embarcar para a Argentina, o seu interior próximo do estado de origem motivou uma troca com outra unidade (a 0101) na alocação ao projeto museológico nacional.

Como infelizmente aconteceu tantas vezes por cá nem a especial relevância histórica do veículo impediu de passar vários anos ao abandono, resguardada à frente de todos e exposta não apenas aos elementos mas também ao vandalismo que na praia de vias do Barreiro-A, onde estava, era habitual.

Conforme abordado na página principal do projeto, estamos agora a investir o nosso trabalho e algum dinheiro reunido até aqui para desde já procurarmos uma dignidade diferente para a última unidade das míticas automotoras suecas Nohab.

A 0111 foi retirada do Barreiro em 2012, por alturas do abate de outras irmãs que ali esperaram o seu destino final. Foi então encaminhada para o Entroncamento onde o seu resguardo em zona segura impediu a continuação da degradação deste veículo.

Automotora 0111 junto a material destinado a abate, em 2012.

A secção de Preservação Ferroviária realizou já uma inspeção técnica ao veículo durante o 1º semestre deste ano, permitindo uma reflexão mais concreta sobre as necessidades a prever para o restauro estético da primeira fase e perspetivar o que pode ser o grau de dificuldade de devolver esta automotora a estado funcional.

Os grandes destaques são:

  • Alguns vidros partidos a necessitar de recuperação;
  • Bancos da 2ª classe em muito bom estado, apenas um necessita de restauro do tecido;
  • Bancos da 1ª classe a necessitarem de limpeza profunda e possível restauro integral (a validar);
  • Equipamentos interiores praticamente completos, faltando apenas algumas tampas e uma cadeira de maquinista;
  • Caixilharia de madeira muito degradada e a necessitar de substituição;
  • Equipamentos mecânicos aparentemente completos e em razoável estado;
  • Carroçaria com vários pontos de corrosão a necessitarem um trabalho extenso de recuperação.

 

Com base na informação recolhida elaborámos já um plano de trabalhos que vamos dar a conhecer ao longo dos próximos meses e à medida da sua execução, para no mais curto prazo possível devolvermos a esta automotora a suprema dignidade que tiveram durante a sua extensíssima carreira.

Convidamos todos os nossos amigos a entrarem em contacto connosco para nos ajudarem a levar por diante este grande projeto de restauro.  😀 

A automotora no recinto do Museu Nacional Ferroviário, aguardando o merecido restauro.


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